terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Quando alguém se torna real


Final de ano chegando e os dias vão ficando mais curtos, cheios e corridos. Pela preguiça falta de tempo de passar por aqui os assuntos dos posts vão se acumulando. Desejo, ciladas sociais, Paixão e até aquele ensaio sobre Mentira já vi que vão acabar ficando para o ano vem (logo ai).

Entre um e outro ensaio escrito e não terminado começo esse para falar de outras coisas, coisas mais atuais.

Quem convive com a peça aqui sempre escuta falar das ciladas e entre outras convenções sociais. Uma delas é sobre puxar assunto com pessoas desconhecidas e como muitas vezes as pessoas simplesmente se incomodam com isso. Mas hoje eu estava lá no ônibus e uma moça ao meu lado simplesmente puxou um assunto qualquer. Claro que como sou simpático (rsrs) eu continuei e assim conversamos um pouco durante o caminho. Despedimos-nos, ela desceu e cada um seguiu seu caminho para talvez nunca mais se cruzar de novo.

Nem ao menos soube o nome dela e lembrei do quanto um nome faz diferença e o poder que tem de definir algo. Até comentei aqui (na verdade no antigo Ensaios) sobre o conceito da Morena do Ônibus associado ao poder do nome das coisas.

A idéia é que um nome não apenas define algo como o torna real. No exemplo dessa menina no ônibus sempre vou lembrá-la como a menina do ônibus que puxou um assunto qualquer. Se tivéssemos nos apresentado e ela por acaso se chamasse Camila, seria diferente. Seria a Camila que conheci no ônibus, que tem uma vida, é uma pessoa com sonhos, problemas, alegrias, ambições, alguémmais comum.

Um dos exemplos que uso é tentar imaginar algo. Pensar em algo duro, áspero, pode ser pequeno e quase esférico. Irregular, pesado, entre outras características te ajudam a tentar definir esse “algo”. Mas e se souber que o que tenta imaginar é uma pedra? Todas essas características ficam resumidas a uma simples palavra, simples e quase que limitado.

O nome é apenas um dos fatores usados quando se define alguém por exemplo. Nem precisa ir muito longe, só tentar lembrar de alguém com alguma certa caracteristica. Quanto mais se conhece alguém menos sobra espaço para as fantasias e vislumbres que o desconhecido proporciona e chama atenção. Mas também nem por isso torna esse alguém menos interessante. Semanas atrás passeando pela blogesfera achei um blog interessante e resolvi escrever para a escritora. Trocamos alguns e-mails, falamos de uma ou outra coisa e minha curiosidade acabou me fazendo querer saber quem era a pessoa por trás desses assuntos avulsos. Nome falso, e-mail alternativo, fotos sem os olhos e toda a parte encoberta era preenchida pela imaginação e achismo sobre quem era essa pessoa. Acabei por conhecê-la de verdade e ao encontrá-la, não a personagem e sim a pessoa real, descubro alguém mais interessante ainda do que aquela que mantinha no plano das idéias. Conhecer seu nome real e como ela é trouxe uma visão totalmente nova sobre ela. Uma pessoa com vida, brilho, alegria, tristeza, sonhos e dona de um sorriso único e real que uma personagem ou até mesmo um conceito social como a Morena do Ônibus não pode ter.

Geralmente é o que acontece ao se nomear. Trazer para o mundo palpável, real, logo ali ao toque. Um mundo cada vez mais presente, aonde o físico sobrepõe o conceito e que às vezes faz com que o interessante se perca. Ruim é nem sempre ter controle sobre isso, não poder fazer com que ao te conhecerem tudo mude. O interesse e curiosidade são fáceis de se perder e não deixam de ser apenas mais uma cilada social que alias é um assunto para um próximo post...

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