sábado, 26 de dezembro de 2009

Um ano de perdas...


O ano está quase no fim. Ainda faltam alguns dias, mas como não estarei por aqui coloco mais cedo um último post do ano.

Acho que o final de ano é a festa que mais traz uma carga junto com a data. No ano passado comentei sobre essa carga e a força que gera. Literalmente bilhares de pessoas estão aguardando o fim de mais um ano e esperando que um novo ano comece, um ano melhor. Planos e promessas são feitas enquanto cada um avalia o ano que está terminando.

Dizem que a forma que você passa a virada ou o que consegue fazer com essa corrente de ano novo, define completamente seu próximo ano. Com a virada que tive em 2008, isso não poderia ter sido mais verdade com 2009.

Pra falar sem frescura o ano de 2009 foi um ano perdas. Timidamente um vento de mudanças soprou e levou as primeiras coisas importantes embora. Ai perderam-se as festas anuais que sempre tive, as tradições criadas, costumes e momentos importantes. Perdi o favor da tríade e a liberdade de escolher um próprio caminho.

Este ano foi o ano que o dinheiro perdeu o rumo junto com a segurança e o prazer de produzir. O ano que perdi amigos, projetos e a paciência. As vontades não demoraram muito para se perderem também junto com todos os planos, desejos e até a paixão pelo sorvete de abacaxi.

E a maior perda de todas foi perder o importar. Com ele um mundo inteiro se perdeu, um mundo que era nosso, um mundo único e o mundo pelo qual vivia. O único mundo que realmente importava.

Mas como a roda não para, um ano termina e outro começa. Futuro continua a frente de seu trem arte-finalizando seus rascunhos e o que fazemos é aproveitar a virada para desejar coisas para o próximo ano.

Não sei o que esperar de 2010, mas certamente farei as três promessas que sempre faço. As mesmas três promessas que nunca cumpro.

E você? Não deixe de desejar algo, 2010 já já está ai.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Um ano de ensaios...


Nem parece que faz tanto tempo assim que pensei em colocar num blog tudo aquilo que já pensava, vivia e sabia. Como um projeto pro ano seguinte pra suprir uma vontade de falar as coisas com quem não tinha mais com quem falar eu decidi começar a escrever e assim nasceu o Ensaios Sobre Coisas.

Confesso que no começo mesmo sendo divertido foi um pouco difícil. Não queria dar uma cara pessoal ao blog ao mesmo tempo em que a maioria dos posts tinham a ver com experiências próprias.

Aqui ensaiei desde coisas engraçadas ou revoltantes que via no dia a dia, como quase ter sido atropelado várias vezes pelas mulheres dos prédios perto de casa ou o jeitinho brasileiro das pessoas que sempre querem ter vantagem nas coisas. Falei sobre pessoas e como elas agiam, sobre mundos e como é possível perdê-los. Falei sobre um jardim que murchou por falta de atenção, sobre como lidar com situações adversas, sobre conceitos, lendas, histórias e até a amada São Paulo foi assunto nesse ano. Tristeza, Destino, Paixão entre outros sonhos também foram assuntos do Ensaios, que alias é uma segunda versão já que por burrice minha problemas técnicos o Google deletou o primeiro blog.

Fico contente que ele tenha durado um ano pelo menos, que mesmo não sendo nada dedicado para escrever, o Ensaios completou esse primeiro ano no ar. Que venha então mais um ano, dois ou três anos porque o que não falta são assuntos para comentar por aqui.

Parabéns Ensaios! Estamos só começando...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Quando alguém se torna real


Final de ano chegando e os dias vão ficando mais curtos, cheios e corridos. Pela preguiça falta de tempo de passar por aqui os assuntos dos posts vão se acumulando. Desejo, ciladas sociais, Paixão e até aquele ensaio sobre Mentira já vi que vão acabar ficando para o ano vem (logo ai).

Entre um e outro ensaio escrito e não terminado começo esse para falar de outras coisas, coisas mais atuais.

Quem convive com a peça aqui sempre escuta falar das ciladas e entre outras convenções sociais. Uma delas é sobre puxar assunto com pessoas desconhecidas e como muitas vezes as pessoas simplesmente se incomodam com isso. Mas hoje eu estava lá no ônibus e uma moça ao meu lado simplesmente puxou um assunto qualquer. Claro que como sou simpático (rsrs) eu continuei e assim conversamos um pouco durante o caminho. Despedimos-nos, ela desceu e cada um seguiu seu caminho para talvez nunca mais se cruzar de novo.

Nem ao menos soube o nome dela e lembrei do quanto um nome faz diferença e o poder que tem de definir algo. Até comentei aqui (na verdade no antigo Ensaios) sobre o conceito da Morena do Ônibus associado ao poder do nome das coisas.

A idéia é que um nome não apenas define algo como o torna real. No exemplo dessa menina no ônibus sempre vou lembrá-la como a menina do ônibus que puxou um assunto qualquer. Se tivéssemos nos apresentado e ela por acaso se chamasse Camila, seria diferente. Seria a Camila que conheci no ônibus, que tem uma vida, é uma pessoa com sonhos, problemas, alegrias, ambições, alguémmais comum.

Um dos exemplos que uso é tentar imaginar algo. Pensar em algo duro, áspero, pode ser pequeno e quase esférico. Irregular, pesado, entre outras características te ajudam a tentar definir esse “algo”. Mas e se souber que o que tenta imaginar é uma pedra? Todas essas características ficam resumidas a uma simples palavra, simples e quase que limitado.

O nome é apenas um dos fatores usados quando se define alguém por exemplo. Nem precisa ir muito longe, só tentar lembrar de alguém com alguma certa caracteristica. Quanto mais se conhece alguém menos sobra espaço para as fantasias e vislumbres que o desconhecido proporciona e chama atenção. Mas também nem por isso torna esse alguém menos interessante. Semanas atrás passeando pela blogesfera achei um blog interessante e resolvi escrever para a escritora. Trocamos alguns e-mails, falamos de uma ou outra coisa e minha curiosidade acabou me fazendo querer saber quem era a pessoa por trás desses assuntos avulsos. Nome falso, e-mail alternativo, fotos sem os olhos e toda a parte encoberta era preenchida pela imaginação e achismo sobre quem era essa pessoa. Acabei por conhecê-la de verdade e ao encontrá-la, não a personagem e sim a pessoa real, descubro alguém mais interessante ainda do que aquela que mantinha no plano das idéias. Conhecer seu nome real e como ela é trouxe uma visão totalmente nova sobre ela. Uma pessoa com vida, brilho, alegria, tristeza, sonhos e dona de um sorriso único e real que uma personagem ou até mesmo um conceito social como a Morena do Ônibus não pode ter.

Geralmente é o que acontece ao se nomear. Trazer para o mundo palpável, real, logo ali ao toque. Um mundo cada vez mais presente, aonde o físico sobrepõe o conceito e que às vezes faz com que o interessante se perca. Ruim é nem sempre ter controle sobre isso, não poder fazer com que ao te conhecerem tudo mude. O interesse e curiosidade são fáceis de se perder e não deixam de ser apenas mais uma cilada social que alias é um assunto para um próximo post...